quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PINTURA PÓS-IMPRESSIONISTA - TOULOUSE-LAUTREC

1864-1901

“Só a figura conta”, dizia Lautrec. “A paisagem é, e deveria ser sempre, apenas um acessório.”


A ideia da pintura como obra de arte elevada, executada necessariamente em óleo sobre tela, desagradava a Toulouse-Lautrec. Em 1891 ele criou seu primeiro cartaz de propaganda, "Moulin Rouge - La Goulue", que foi afixado nos muros de Paris. As prostitutas, dançarinas de cancã dos cabarés e outras personagens da vida noturna parisiense da década de 1890 eram seus modelos prediletos.
Há uma grande semelhança entre a obra de LAUTREC com a de Degas, que ele poderia ser tomado como um mini-Degas. Desenhava seus temas, como Degas, a partir da vida contemporânea: teatros parisienses; salões de dança e circos. Ambos retratavam cenas em movimento; privacidade através de vislumbres de fragmentos da vida com corte abrupto, fotográfico; cenas noturnas de interiores, iluminadas por luz forte e artificial; personagens do “demimonde”, os animadores, acrobatas e prostitutas, que caricaturava para enfatizara seus atributos essenciais. Além das composições assimétricas, influência pelas gravuras japonesas.
Medindo 1,50 m de altura (pernas atrofiadas em virtude de um acidente); torso e cabeça desproporcionais; alcoólatra; sifilítico, andava pelos bordéis com as prostitutas, os marginais em plena boêmia.
Sua contribuição se deu mais no domínio das artes gráficas da litografia e do cartaz.


Henri-Marie-Raymonde de Toulouse-Lautrec-Monfa nasceu em uma família aristocrática, recebeu educação artística e foi um menino normal até os 14 anos, quando sofreu um acidente e quebrou o fêmur esquerdo. Menos de um ano depois, quebrou o direito. Os traumatismos, aliados a uma doença óssea congênita atrofiaram suas pernas e ele se tornou praticamente um anão, com dificuldades locomotivas. Passou, então, a dedicar cada vez mais tempo à pintura.

Em 1872, em Paris, ingressou no Liceu Fontanes e, em 1881, depois de bacharelar-se, decidiu tornar-se pintor. Um de seus primeiros mestres, Léon-Joseph-Florentin Bonnat, defensor das normas acadêmicas e contrário aos impressionistas, não gostava dos desenhos do aluno. Em 1883, Toulouse-Lautrec passou ao estúdio de Fernand Cormon, onde conheceu Van Gogh e Émile Bernard. Apesar do apoio do novo mestre, sentia a estética acadêmica como algo cada vez mais restritivo.
Montou seu próprio estúdio e passou a frequentar o bairro boêmio de Montmartre em Paris, que tornaria célebre em sua obra. Ao contrário dos impressionistas, Toulouse-Lautrec tinha pouco interesse pelas paisagens e preferia os interiores. Pintou "Moulin Rouge", "Au salon de la rue des Moulins" e inúmeros retratos.


“No Moulin Rouge” (1892)


A crônica de LAUTREC da vida noturna parisiense vista como ele disse: da “altura do cotovelo”, capta perfeitamente o “malaise” e a decadência do período do “fin-de-siècle”. Ele utiliza iluminação forte e cores dissonantes para transmitir a alegria superficial da época e a melancolia subjacente. LAUTREC ia toda noite à sala de show para pintar bandos grotescos, com retratos individualizados, em que incluía até a si mesmo.

Neste quadro, enquanto clientes do estabelecimento conversam a uma mesa e La Gaulue (A Glutona), uma famosa dançarina de cabaré da época, ajeita o cabelo em frente a um espelho ao lado de uma acompanhante. Lautrec, num momento hitchcockeano atravessa a sala acompanhado por Gabriel Tapié de Céleyran, seu primo e amigo.

Yvette Guilbert saúda o público” (1894)

Com poucos traços e cores ele conseguiu retratar uma situação extremamente humana. Yvette Guilbert era uma declamadora famosa na época. Na cena retratada pelo artista, porém, ela já está envelhecida e agradece ao público com um sorriso triste e o rosto coberto por uma maquiagem que mais parece uma caricatura.


Mas por amor de Deus, não me faça assim tão horrivelmente feia! Um pouco menos…! Muitas pessoas gritaram como selvagens ao ver a prova a cores… Nem toda a gente vê exclusivamente o lado artístico e…bolas!!! Mil agradecimentos da sua muito reconhecida Yvette.” (Yvette Guilbert)

Lautrec fez muitos desenhos de Yvette, além de duas séries de litografia preto e branco (1894 e 1898), e estava previsto um cartaz, que nunca se concretizou. Além disso, ela se impressionou com a figura incomum do pintor no início e também demorou algum tempo para aceitar o modo como ele a representava, tão diferente do modo favorecista que outros artistas o faziam.

No início era muito pobre e como as luvas pretas são mais econômicas, as escolhi. Mas, tanto quanto possível, usei-as com vestidos claros e subidas até em cima, de modo que aumentavam a elegância dos meus braços e dos ombros e também do meu pescoço longo e delgado.” (Yvette Guilbert)

“No circo Fernando: a amazona” (1887-1888)

O artista trabalhou o desenho e a pintura. Observe como o corpo do cavalo sugere força e movimento; os traços do rosto e na posição do braço do adestrador de cavalos segurando o chicote. Todos esses detalhes transmitem a autoridade necessária para que a personagem controle o cavalo, que gira pelo picadeiro com uma dançarina montada. Note também a agitação da cena, da qual fazem parte palhaços, dos quais temos uma visão parcial, assim como de algumas pessoas da platéia, além de elementos que atestam a influência japonesa na obra de Lautrec: o centro ótico da composição foi deixado vazio e a cena foi dividida em duas partes na diagonal: o picadeiro (vazio) e a arquibancada. Além disso, as pessoas da arquibancada, assim como o palhaço no picadeiro estão cortados pelas margens, outro recurso gráfico japonês.




"Au salon de la rue des Moulins"



 “O beijo”, 1892.



“Na cama”, 1893.

Seu estilo transgredia as proporções anatômicas e as leis da perspectiva em favor da expressividade. Os traços rápidos e as cores intensas sugeriam movimento. A simplificação do contorno e o uso de grandes áreas em uma só cor caracterizam seus cartazes, que estão entre suas obras mais significativas.

A partir de 1892, Toulouse-Lautrec dedicou-se à litografia. Entre as mais de 300 que produziu, destaca-se a série "Elles", retratando a vida nos bordéis. Nessa época o artista já estava entregue ao alcoolismo. Em 1899, após um colapso nervoso, passou alguns meses num sanatório, mas voltou a beber.









Henri de Toulouse-Lautrec morreu prematuramente, aos 36 anos, no castelo de Malromé em Gironde. Apesar da excepcional popularidade de seus cartazes publicitários e das numerosas litografias, o reconhecimento da importância estética de sua obra demorou a chegar.


TEMA: Vida noturna de cabarés

ASSINATURA: Primeiros cartazes artísticos usados para propaganda

TIPO: Decadente, febril

PREOCUPAÇÃO: “Malaise de fin-de-siècle”

MARCAS: Desenho esboçado, centro vazio e figuras cortadas nas margens; cores fantásticas, de interior e fora de tom; caricaturas, traços semelhantes a máscaras.





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