sábado, 22 de dezembro de 2012

CIÚME



O ciúme é um rasgo no escuro,
É silêncio, açoite, queixume,
É correr em contramão.
É um mergulho no vão do absurdo,
É uma faca afiada de dois gumes,
É atalho ávido de azedume,
Enchente, estio e vazão.

O ciúme é a mudez do segredo,
É um queira não queira,
É o avesso da exceção.
É o riso cortado no meio,
É viver sem beira nem eira,
É madeira na fogueira,
É vagar feito pagão.

O ciúme é a véspera do afago,
Partida, desterro, um trago,
É hóstia sem comunhão.
É metade, inteiro, pedaço,
É cadeado do castelo,
É acaso, enigma, flagelo,
Ferida aberta de perdição.

É Joana, Medéia, quimera,
Raquel, Iansã, Hera,
Bento, Hiago, Otelo,
Volúpia, sacramento,
Coração alado,
Alquimia do então.
O ciúme é o oitavo pecado,
É o golpe calado,
No olho do furacão!!!!



domingo, 9 de dezembro de 2012

QUINTAIS DO MEU BRASIL



Pode fazer frio ou chover,
Chega de tanto penar.
O que acontecerá aos corações
Se o Brasil parar?

Guardei a tristeza no bolso,
Segui contra a direção,
Sem nenhuma certeza,
A não ser sua imensidão.

Pedi bênção ao Padim Ciço,
Guarda e proteção,
Viajei sertões, caatingas,
Conversei com Lampião.

Com um chute forte,
Lancei bola no Maracanã,
E nuns trens lá pras ribas,
Desembarquei em Jaçanã.

No ventre da taba paulistana,
Às margens do Tietê,
Dancei carimbó
Com o Saci Pererê.

Depois do Galo da Madrugada,
Peguei o trem do Pantanal,
Uma baiana arretada
Me arrastou pro litoral.

Aproveitei para lavar
As escadarias do Bonfim
Dancei com uma sereia
“Boi” em Parantins.

Vesti bombacha e poncho
Segui o céu azul.
Chimarrão, cuia, bomba,
Luz do Cruzeiro do Sul.

Numa pajelança cabocla
Xamã me avisou:
Prove o mel de Iracema
Visite o Cristo Redentor.

Trilhei meus caminhos
Desvairado vaivém
Mares, cerrados, sertões
Que não tem pra ninguém.

Atente seu moço
À bandeira nacional
Deus é brasileiro,
Em pleno carnaval

O brilho do meu anel,
É verde, amarelo, anil
Reflete as cores
Dos quintais do meu Brasil!

Autora: Valéria Pisauro