terça-feira, 10 de janeiro de 2017

CORAÇÃO, CABEÇA E ESTÔMAGO, 1862


I – AUTOR:
CAMILO CASTELO BRANCO (1825-1890) foi um escritor português. "Amor de Perdição" foi sua novela mais importante. Foi considerado o criador da novela passional portuguesa. Escreveu irreverentes crônicas para jornais. Dedicou-se à atividade literária, foi um dos primeiros escritores portugueses a viver exclusivamente do que escrevia. Recebeu o título de Visconde concedido pelo rei de Portugal, D. Luís I.
Camilo Castelo Branco (1825-1890) nasceu na freguesia dos Mártires, em Lisboa, Portugal, no dia 16 de março de 1825. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, ficou órfão de mãe com um ano e de pai com 10 anos. Foi morar com uma tia e depois com sua irmã mais velha. Em 1841, com apenas 16 anos, casou-se com uma jovem de 15 anos, Joaquina Pereira, mas logo a abandonou.
Em 1843 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica na cidade do Porto, mas entregue à boemia, não conseguiu concluir o curso. Em 1845 publicou seus primeiros trabalhos literários. Em 1846 fugiu com a jovem Patrícia Emília, mas a abandona, poucos anos depois. No ano seguinte morreu sua esposa legítima, de quem estava separado, e a filha do casal morreu no ano seguinte.
Camilo Castelo Branco passou por uma crise espiritual em 1850, e ingressou no seminário do Porto, pretendendo seguir a vida religiosa. Nesse ano conheceu Ana Plácido, que casada com um comerciante brasileiro, abandonou o marido em 1859 e foi viver com Camilo. Em 1860 é processado e preso por crime de adultério, mas é absolvido no ano seguinte, passando a viver com Ana. O casal foi morar em Lisboa e depois em São Miguel de Seide, sempre com muitos problemas financeiros.
Em 1863 publica "Amor de Perdição", sua novela mais famosa. Sua vida atribulada lhe deu inspiração para os temas de suas novelas. Também reconstituiu em suas obras o panorama dos costumes de Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia com as maneiras de ser e sentir do povo português.
Camilo foi um dos primeiros escritores portugueses a viver da literatura. Sua produção é composta de mais de cem obras, a maior parte de novelas satíricas, de mistério ou terror, históricas e passionais, publicadas em folhetins. Com uma linguagem simples e histórias repletas de emoção, fazia grande sucesso. Em 1889, quando se torna uma celebridade nacional como escritor, recebe uma homenagem da Academia de Lisboa.
Uma doença nos olhos que pouco a pouco lhe tirava a visão, fez Camilo mergulhar em profunda depressão. Depois de saber que ficaria definitivamente cego Camilo suicida-se em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, no dia 01 de junho de 1890.

Obras de Camilo Castelo Branco:
Os Mistérios de Lisboa, 1854
Duas Épocas na Vida, 1854
O Livro Negro do Padre Dinis, 1855
Vingança, 1858
Carlota Ângela, 1858
A Morta, 1860
O Romance de um Homem Rico, 1861
Doze Casamentos Felizes, 1861
Estrelas Funestas, 1861
Amor de Perdição, 1862
Coração, Cabeça e Estômago, 1862
Estrelas Propícias, 1863
Amor de Salvação, 1864
O Olho de Vidro, 1866
O Retrato de Ricardina, 1868
A Mulher Fatal, 1870
Novelas do Minho, 1876
Perfil do Marquês de Pombal, 1882
Vulcões de Lama, 1886
Nas Trevas, 1890


II – CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL:
Para se fazer uma breve análise do momento histórico em que a ironia se inseriu na literatura portuguesa, é preciso inquirir sobre o final do século XVIII, bem como o século XIX, em Portugal, quando se deu a Revolução Industrial e o desenvolvimento e instauração do sistema capitalista na Europa. A resposta disso é uma sociedade que apresenta como fortes características a valorização do capital, a mecanização do cotidiano, a objetividade e o pragmatismo das relações. Concomitante a essas mudanças, quando se identificava a vitória da burguesia, nota-se, na civilização ocidental, uma acentuação do homem enquanto indivíduo, enquanto ser uno e a necessidade do homem-artista em incorporar essas modificações no campo das artes.
Nesse contexto, muitos escritores de então utilizavam-se dos mesmos artifícios de representação social e fingimento, como maneira de criticar e denunciar realidades incômodas. Algumas das possibilidades de crítica e denúncia surgiam pelo sarcasmo, pela sátira e pela ironia, características bem conhecidas na obra camiliana
Quanto a isso, Lélia Parreira Duarte apresenta as duas vertentes do conflito do artista de então: aceitar essa incorporação e contribuir para a legitimação das mudanças ou resistir, criticando-a, o que significaria um suicídio do seu reconhecimento estético? (2006, p. 141).
Camilo Castelo Branco, por ter vivido no séc. XIX, vivenciou o momento de transição estética, da romântica para a realista, tempo de efervescência literária em Portugal. E isso marcou algumas de suas obras, como a que agora se apresenta. Se a literatura clássica se pautava na representação do real, na mimesis, a nova arte prezava a denúncia da artificialidade.
No intuito de credibilizar as suas obras e embutir-lhes veracidade, muitos escritores do século XIX, particularmente na literatura romântica, buscavam maneiras diversas de contar as suas histórias. Recorrer a escritos que lhes foram entregues ou a documentos que foram descobertos, ou mesmo a uma história que ouviram contar eram artifícios para tornar verossímeis as suas narrativas.
Não diferente, Camilo utilizou-se desse recurso. Na narrativa que ora protagoniza esse artigo, tem-se a história de Silvestre da Silva, um autor-defunto, que, antes de morrer, deixa os seus escritos com um amigo para que este os publique, a fim de pagar as dívidas que contraiu em vida. Este amigo, que não apresenta nome, torna-se herdeiro e editor dos escritos de Silvestre da Silva. Vê-se no direito de editar aqueles três capítulos que tem em mãos – Coração, Cabeça e Estômago -, tornando-se, assim, o segundo narrador daquela história: o narratário. E na posição de editor desses papéis, revisita-os e modifica-os, imprimindo em sua justificativa o seu tom crítico-irônico.

III – ESTILO OU ESCOLA LITERÁRIA:
Falar da obra de Camilo Castelo Branco implica cobrir uma imensa quantidade de textos, já que este escritor romântico português é também considerado como um daqueles que mais produziram em termos literários, em sua época. Camilo, na verdade, em sua vida tão ou mais atribulada que as aventuras de seus romances, precisava escrever para viver. A sua imensa produção tem por isso mesmo, altos e baixos. Nem todas as obras possuem igual valor artístico, talvez mesmo pela própria pressa com que muitas foram escritas, marcada pelo justificável impulso da necessidade de sobrevivência.
A fase dos romances de Camilo mais evidentemente marcada pelo romantismo e pelo gosto da novela passional é, talvez, a mais conhecida e a que granjeou maior sucesso. Temporalmente situado no FINAL DO ROMANTISMO, algumas de suas obras, ao menos em sua intencionalidade, foram marcadas pela nova estética. Camilo NÃO SE DIZIA REALISTA, mas deixou-se marcar por um certo HUMOR, por um certo distanciamento em relação ao narrado, que antecipam, de certa forma, a IRONIA/SÁTIRA/PARÓDIA REALISTA EM RELAÇÃO A CERTOS VALORES ROMÂNTICOS.
CRITICA A ESTÉTICA RECENTEMENTE DECAÍDA, apresentando-a como DEMODÉ, aponta uma sociedade injusta e interesseira e se aproveita, ainda, do AUTOR JÁ MORTO PARA DIMINUIR E FAZER POUCO DO SEU OLHAR DEMASIADO ROMÂNTICO.
A ESTÉTICA REALISTA GANHAVA FORÇA. A IRONIA DE CAMILO, DEIXA CLARA A DESCONSTRUÇÃO DO EDITOR SOBRE O AUTOR, COMO UMA LEITURA DA DESCONSTRUÇÃO DO PRÓPRIO CAMILO REALISTA SOBRE O CAMILO ROMÂNTICO.
Entretanto, nos três momentos em que se divide a narrativa de CORAÇÃO, CABEÇA E ESTÔMAGO, apesar do tom irônico sempre frequente, é AINDA O MODELO ROMÂNTICA QUE IMPULSIONA a personagem e acaba por se tornar a sua autêntica opção.

IV – ESTRUTURA DA OBRA:
Primeiramente trata-se de uma OBRA METALINGUÍSTICA, pois o livro conta A HISTÓRIA DA ORIGEM DO PRÓPRIO LIVRO melhor explicando a obra é UMA HERANÇA DEIXADA PARA UM AMIGO, seu conteúdo é a biografia do autor que após morrer endividado explica o porquê de tê-lo escrito: DAR EXPLICAÇÃO PARA O SABER VIVER.
Acreditava o autor que tal obra seria de grande VALIA PARA A HUMANIDADE e isto alçaria a obra à lista dos BEST SELLERS e SANARIA AS SUAS DÍVIDAS PÓSTUMAS.
O romance não está apenas dividido em TRÊS PARTES. Há ainda dois acréscimos feitos pelo editor: um no início, o PREÂMBULO, e outro no fim, intitulado “O EDITOR AO RESPEITÁVEL PÚBLICO”.

PREÂMBULO:
Como revela no Preâmbulo, o EDITOR, sentindo-se no direito de ADULTERAR os escritos de Silvestre da Silva, chega a ACRESCENTAR INFORMAÇÕES ATRAVÉS DAS NOTAS e FAZER UMA CRÍTICA Á NARRATIVA DE SILVESTRE.
“Eu sei mais alguma coisa, que merece crônica. ”
Voltando à crítica do narratário sobre o autor, encontra-se espalhada pela obra algumas ALERTAS AO LEITOR, ou de que este se prepare para o que irá ler ou de que, enquanto editor, ele RETIROU ALGUMAS PARTES DO AUTOR, POR SEREM DE DEMASIADO MAU GOSTO:
“Defendo a paciência do leitor dos duros golpes que lhe estão iminentes.” 
Outro exemplo encontra-se ainda no início da segunda parte, quando Silvestre da Silva retorna ao Porto e já não julga as mulheres encantadoras como as de outrora. Neste momento, o leitor atento deve se perguntar se, de fato, o encanto dessas mulheres não mais existe ou não há mais encanto no olhar de Silvestre, tomado agora pela racionalidade.
“Ó mulheres do Porto, ó virgens saudosas da minha mocidade, ó santas da natureza como Deus as fizera, que é feito de vós, que fizeram de vós os romances, e o vinagre, e a Lua, e o pó de telha, e as barbas do colete, e os jejuns, e a ausência completa do boi cozido, que vossas mães antepuseram às mais legítimas e respeitáveis inclinações do coração?! [...] Estavam as minhas faculdades regidas pela cabeça. “
O protagonista julga a publicação dos seus escritos como proveitosa para a iniciação da mocidade da época, a fim de que esta não repetisse os erros que ele cometera, numa alusão ao reconhecimento de que é inválido ou desnecessário estar afeito às agruras do coração, do romantismo. Nesta carta prometia o meu amigo legar-me os seus papéis, com plena autorização de divulgá-los, se eu visse que podiam ser de proveito para a iniciação da mocidade.

“O EDITOR AO RESPEITÁVEL PÚBLICO”.
Sobre este, no qual o EDITOR SE DESPEDE, JUSTIFICA AS PARTES APROVEITÁVEIS DO ROMANCE que são as que mostram que “a deusa da fortuna é a predileta amiga dos que submetem a vida ao regime suave da matéria”, imprimindo, assim, crítica e atualização daquele momento histórico e literário.
Em suas últimas palavras, o narratário espreme ainda a sua última GOTA DE TINTA NA FERINA PENA. Apresenta o ÚLTIMO SONETO DE SILVESTRE.
“E destina-lhe merecimento. Grande merecimento, aliás. NÃO POR SER BOM. MAS POR SER O ÚLTIMO. “

TRÊS VOLUMES escritos ou três capítulos:
- O primeiro com o título CORAÇÃO – FASE DE 1844 a 1854
Quando SILVESTRE DA SILVA se dedicou aos seus amores e às "coisas do coração", às quais ele depois diz ser "tolice brava";
- O segundo, CABEÇA – FASE DE 1855 a 1860
Ele então se dedicou ao "intelecto";
- O terceiro, ESTÔMAGO – FASE de 1860 a 1861
Afirma ter se rendido aos apelos do estômago até morrer e afirmar em um soneto antes de sua morte: "E por muito comer eu desço à cova!"

V – FOCO NARRATIVO:
No que se refere à sua composição, CORAÇÃO, CABELO E ESTÔMAGO apresenta DOIS NARRADORES:
- Um narrador em PRIMEIRA PESSOA que não é outro senão o PRÓPRIO PERSONAGEM PRINCIPAL – SILVESTRE, que faz a sua AUTOBIOGRAFIA ou MEMÓRIA, o que pressupões uma FONTE REAL.

PRIMEIRA PESSOA:
A narrativa em PRIMEIRA PESSOA é, enfim, a NARRATIVA DE SILVESTRE SOBRE UM SILVESTRE PASSADO.
Há como que uma atitude CRÍTICA DE UM SOBRE O OUTRO se evidencia na enunciação que, de certa forma, nega o enunciado que suporta.
SILVESTRE: jovem, guiado por um coração adulterado pelo romantismo folhetinesco, corre atrás de uma paixão, deixa-se cair em inúmeras ciladas e, mesmo fisicamente, obstina-se em possuir uma compleição física que o aproxime dos estereótipos do romantismo. Como não tinha sido bem formado pela natureza ingrata que lhe dera “uma robusta organização” ao invés da palidez e das olheiras que convinham ao tipo doentio do romântico inveterado, inicia-se em Silvestre o processo do déguisement, a fabricação da máscara, ironicamente restituída pelo discurso do narrador.
Silvestre não tinha as características do homem romântico, mas trata logo de forjá-las:
Como quer, porém, que a testa fosse menos acampada que o preciso para significar ‘desordem e gênio’, comecei a barbear a testa, fazendo recuar o domínio do cabelo, a pouco e pouco, até que me criei uma fronte dilatada, e umas bossas frontais, como a natureza as não dera a Shakespeare nem a Goethe. Por ter uma aparência sadia, Silvestre então resolve dissimular olheiras com um líquido roxo indicado por um amigo médico. Ele se vê satisfeito com o resultado da transformação de sua aparência: Fiz, pois, de mim uma cara entre o sentimental de Antony e o trágico de Fausto. Silvestre age, portanto, como se o romantismo, o sentimentalismo e até mesmo o sofrimento pudessem ser construídos, e lança aí a ideia de que muitos sentimentos são "inventados" à sombra do romantismo.
“Era-me necessário remediar o infortúnio de ter saúde, sem atacar os órgãos essenciais da vida, mediante o uso de beberagens. ”
A presença do NEGRO, do SOMBRIO e do DOENTIO, elementos tão caros ao gosto ultrarromântico, compunham a figura da PERSONAGEM DO PASSADO e são IRONIZADOS através do discurso pelo HOMEM MADURO que pretende fazer, com o romance, uma RETROSPECTIVA DE SUA VIDA.
“O meu cavalo era negro, negro o meu trajar, tudo em mim e de mim refletia a negridão da alma. ”
Há, com efeito, uma distância entre a VERDADE DO ENUNCIADO, que é a da PERSONAGEM e a VERDADE DA ENUNCIAÇÃO, que é a do NARRADOR. Isto se revela, por exemplo no discurso cheio de humor através do qual SILVESTRE-NARRADOR fala das proezas passadas de SILVESTRE-PERSONAGEM.
“Era cataplasma para fazer supurar o coração mais cru. ”
Outras vezes a técnica de REVERTER o ELEMENTO ROMÂNTICO em PROSAICO é a pista que nos conduz, ainda uma vez, à descoberta da POSTURA CRÍTICA da ENUNCIAÇÃO EM RELAÇÃO AO ENUNCIADO:
“Nesta situação, tão dolorosa como ofensiva do meu orgulho, fui a um baile. “
“Expedi do peito involuntariamente um aí agudíssimo, levei as mãos aos olhos e cai numa cadeira, que ia caindo comigo. “
Nos dois exemplos acima, a SEGUNDA PARTE DA ASSERÇÃO ESTÁ SEMPRE EM DESACORDO COM O TOM MELODRAMÁTICO DA PRIMEIRA e é, justamente, o dado inesperado que QUEBRA A AMBIÊNCIA DE SERIEDADE que o discurso parecia imprimir.
AS ATITUDES DO JOVEM SILVESTRE SÃO SEMPRE POSTIÇAS, influenciadas por uma ambiência ultrarromântica, e ficam quase sempre SEM SINTONIA COM AS SUAS VERDADEIRAS AÇÕES.
É frequente assistirmos à passagem do NÍVEL ESPIRITUAL para o FÍSICO, o que dá, como consequência, o TOM PROSAICO em que o discurso voluntariamente pretende cair e destrói a dramaticidade do quadro.

TERCEIRA PESSOA:
- E um narrador em TERCEIRA PESSOA – O EDITOR, AMIGO DE SILVESTRE que, bem ao gosto camiliano, recebeu como HERANÇA os manuscritos do amigo AUTOR-DEFUNTO e pretende publicá-los para saldar as dívidas que este contraíra em vida.
A narrativa em TERCEIRA PESSOA surge nos chamados textos METALINGUÍSTICOS que, embora compondo a macroestrutura da obra, não fazem parte da obra eminentemente ficcional: ADVERTÊNCIA DO AUTOR; PREÂMBULO; NOTAS; REMATE “DO EDITOR AO RESPEITÁVEL PÚBLICO”.
Desta forma o EDITOR desloca, em parte, a responsabilidade do texto para SILVESTRE, não só quanto ao ASSUNTO, mas também quanto à FORMA DO DISCURSO que ele CRITICA muitas vezes, embora mantenha, na maioria dos casos, o original.
Baseia-se no pensamento de Lope de Veja, que aparece em epígrafe, segundo o qual mesmo não sendo aquela a melhor forma, talvez seja, a que “deleita el gusto”. Portanto, centra-se assim numa poética do prazer que não deixa de ser de uma certa IRONIA EM RELAÇÃO AO PÚBLICO LEITOR e à sua capacidade precária no julgamento das obras de arte.
O EDITOR, por exemplo, SURGE COMO PERSONAGEM de uma outra narrativa e, no preâmbulo conversa com NOVAIS, um amigo comum, sobre SILVESTRE e sobre os manuscritos que recebera. Este se torna, assim, o primeiro e mais direto narratário a ter acesso às memórias de Silvestre que serão apresentadas logo após o preâmbulo.
Nas notas o EDITOR completa e CORRIGE o TEXTO-BASE para que, com a “ADULTERAÇÃO”, ele mereça, enfim, “A QUALIFICAÇÃO DE ROMANCE”.
Outras vezes COMENTA o texto de Silvestre, as suas divisões e as suas principais características, atribuindo, inclusive, juízo de valor à evolução da personagem:
“...transição que o homem fez para o estômago, sepultura indigna das santas quimeiras, que o entonteceram na mocidade, e consequência funesta da má direção que ele deu aos projetos, raciocínios e sistemas da cabeça.”