sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

“ELEMENTOS DE TIPOGRAFIA”, GERALDO DE BARROS (1952)



   “Geraldo de Barros (1923-1998) foi um dos membros do grupo Ruptura, o qual, nos anos 50, era responsável por reunir artistas com características construtivas, utilizando basicamente o geometrismo. Em 1952, uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com sete participantes do grupo, dá início ao que se denominou arte concreta no Brasil, que ganhou repercussão também na literatura, com os poetas Haroldo e Augusto de Campos. ” (www.fgvsp.com.br)

  Segundo Marcus Gonçalves (1996), seria uma “arte quase design, socializável como produto industrial, que eliminasse a aura religiosa ou aristocrática do objeto único. O artista poderia passar a ser considerado um artista-projetista industrial, o que justifica a ideia de Gonçalves de arte “quase design”.

  No início da década de 1950, no Brasil, mais precisamente no eixo Rio-São Paulo, artistas, designers e poetas, trabalharam os pressupostos da arte Concreta, importando modelos europeus construtivistas e funcionalistas.
  Com a expansão industrial, conceitos de padronização, serialização e racionalização da produção começaram a ser aplicados industrialmente; e artistas da época discutiram a inserção da máquina na sociedade, com tentativas de unir arte e indústria.
  A visão da realidade passou a ser dualista: humanizar a máquina ou mecanizar o homem, com exceção do surrealismo, as vanguardas incorporam como valores estéticos: as máquinas e os objetos industrializados, a abstração formal e a geometria, a ordem matemática e a racionalidade, a disposição linear e/ ou modular de elementos construtivos, a síntese das formas e a economia na configuração, a otimização e racionalização dos materiais e trabalho.
     Geraldo de Barros defende o distanciamento da arte de qualquer sentido lírico ou simbólico e pretende atingir o espectador sem a mediação do intelecto, tornando-se universalmente compreensível.
  O quadro, construído com elementos plásticos, não tem outro significado a não ser ele próprio. Assim, acredita na racionalidade e rejeita o expressionismo, o acaso, a abstração lírica e aleatória. O intuito das obras é acabar com a distinção entre forma e conteúdo e criar uma nova linguagem. Essa concepção de arte não representa a realidade, mas evidencia estruturas, planos e conjuntos relacionados.
   O artista quer democratizar a arte na medida em que pretende que o objeto artístico seja acessível às massas, criando obras que são protótipos construídos com poucas formas, possibilitando sua reprodução com perfeição e transformando-os em protótipos de projetos industriais, passíveis de serem produzidos em grande escala.
  O que lhe interessa é a socialização da arte e obter uma série a partir de um projeto.
  Via na produção em série uma forma de transformar a sociedade, tornando-a mais igualitária e para atingir este ideal, o caminho era a universalização da forma, reduzindo-a a aspectos especificamente funcionais.
  Em termos ideológicos, senão utópicos, a universalização funcional ia ao encontro do sonho de diminuir as diferenças sociais
  Com singularidade da mais pura percepção, utiliza-se da seriação e aproxima-se da comunicação visual e do design.

 “ELEMENTOS DE TIPOGRAFIA”, busca a universalização formal, a redução, a economia de elementos e a clareza absoluta concebida de acordo com uma criação passível de reprodução e execução, cujas figuras podem ser deduzidas, sem erro, por construção geométrica.
  A arte não é abstrata, pois seus elementos significam as suas próprias formas: uma circunferência é uma circunferência simplesmente e não pretende significar nada além dos elementos visuais, ou seja, outra forma, uma ideia ou um sentimento.
  Nesta perspectiva, o papel atribuído ao artista seria o de elaborar protótipos.
  Mais do que dedicado às mudanças da arte, explora o efeito psicológico do aprimoramento das formas na mente humana, dessa maneira, a partir de elementos simples surge uma dinâmica de relações, tanto entre as formas e cores quanto entre as formas, cores e fundo, a sistematização projectual e a divisão do espaço da página em módulos seguidos durante a composição.